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Na serigrafia de Manube Mabe, a composição apresenta um campo cromático intenso onde gesto e matéria se articulam como elementos centrais da linguagem visual. A obra sugere uma investigação sobre a energia do traço e a relação entre forma e fluxo, construindo uma imagem que emerge da própria dinâmica do fazer pictórico.
A estrutura se organiza a partir de um fundo vermelho contínuo, que atua como plano de tensão e suporte para uma concentração gestual deslocada lateralmente. Nesse núcleo, brancos, pretos, verdes e azuis se entrelaçam em movimentos fluidos, criando uma massa pictórica em transformação. As formas não se estabilizam em figuras definidas, mas insinuam presenças que se dissolvem e se recombinam. A materialidade da tinta, com seus escorrimentos e sobreposições, evidencia uma gestualidade espontânea que contrasta com a uniformidade do campo cromático.
Ao explorar a abstração como campo de experimentação sensível, a obra constrói uma presença que privilegia o processo sobre a representação. Sua força estética reside na tensão entre controle e acaso, dialogando com vertentes da arte brasileira que investigam a expressividade do gesto e a potência da cor como linguagem autônoma.