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Em Cangaceiro, Aldemir Martins apresenta uma figura emblemática que condensa imaginário e síntese formal em uma construção visual de forte presença. A personagem, isolada em um campo escuro, emerge como signo, articulando referências do universo nordestino a partir de uma abordagem que privilegia a clareza estrutural e a estilização.
A composição se organiza de maneira frontal e estática, com a figura ocupando quase integralmente o plano. As formas são definidas por contornos firmes e áreas de cor chapada, em que amarelos, vermelhos e terrosos contrastam com o fundo profundo. A construção geométrica do corpo e dos acessórios sugere uma ordenação rigorosa, enquanto sutis variações tonais e texturas pontuais introduzem densidade à superfície. Elementos como o chapéu, as bandoleiras e os cactos estabelecem um vocabulário visual conciso e reiterado.
Ao explorar a figura do cangaceiro como síntese gráfica, a obra sugere uma leitura que transita entre representação e signo cultural. Sua presença se afirma pela economia de meios e pela precisão formal, dialogando com tradições modernas da arte brasileira que valorizam a estilização e a potência do desenho.