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Em Borboletas, Poteiro apresenta uma composição que articula natureza e imaginação por meio de uma linguagem direta e inventiva. A cena, organizada em torno de uma árvore central, sugere um ambiente simbólico onde formas orgânicas se expandem em direção ao plano pictórico, criando um campo visual que oscila entre o reconhecimento e a fabulação.
A estrutura da imagem é marcada por uma distribuição rítmica de elementos: a copa da árvore, densamente trabalhada em verdes e amarelos, contrasta com o fundo azul saturado, enquanto as borboletas se organizam em núcleos cromáticos vibrantes — vermelhos, ocres e rosas — dispostos de maneira quase ornamental. As formas são simplificadas e reiteradas, construindo padrões visuais que enfatizam a planaridade. A gestualidade do traço e a aplicação de cor revelam uma materialidade expressiva, onde a repetição e a variação convivem em equilíbrio.
Ao explorar uma visualidade sintética e intensamente cromática, a obra sugere uma leitura que dialoga com tradições populares e com a construção de uma poética própria. Sua presença gráfica se afirma pela clareza formal e pela energia compositiva, articulando uma percepção do mundo que privilegia a invenção sobre a descrição.